quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Sítio das Fontes de Estombar
















Perto da praia, mesmo ao lado do lendário Arade existe um Algarve fora das rotas do turismo de massas. È um bom exemplo da iniciativa municipal (Lagoa) que conseguiu conceber um local de arte, cultura, recreio e piquenique à antiga. Dá pelo nome de Sítio dasFontes de Estombar e é uma infra-estrutura bem integrada e integradora de uma sociedade que necessita virar-se novamente para uma vida mais saudável e sociável. É pena que este exemplo não se multiplique ao longo do País noutras autarquias. Há por este Portugal milhares de locais paradisíacos onde não existe nada de interessante porque é proibido pelo ministério do ambiente, ou porque os nossos autarcas apenas estão interessados em copiar os eventos de aviário reproduzidos centenas de vezes por ano, não se sabe para que destinatários. Neste caso não há dúvida que o benefício é da população, dos mais jovens aos mais idosos. Campo, água de nascente e de rio, sombra, aquilo que se pretende da natureza. Da iniciativa do homem, um moinho de maré ancestral, parque de merendas, fogareiro comunitário, anfiteatro para espectáculos e um percurso para prática de exercício físico. Conheci este local porque o meu amigo Carlos Neves, lagoense e algarvio de gema, teve a feliz ideia de me banquetear com uma opípara sardinhada. Peixe acabado de sair do mar, tinto alentejano (porque o sítio é muito bonito mas vinho bom é cá do nosso) e pão amassado à antiga. Umas horas de almoço bem passadas, seguidas de uma cafézada e um escocês a caminho da praia dos Caneiros, sem qualquer preocupação com a queda de arribas; apenas com o mar que estava de cachão.
P.S. O indígena de costas no fogareiro é o Neves.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A rotunda





Nestas férias de Verão encontrei a mais bem concebida das rotundas. Nunca em Portugal e no Mundo alguma vez alguém esteve tão perto de alcançar o sublime no design destes círculos que nos obrigam em cada viagem a contornar um sem número de artistas, temas, relvados e semi-piscinas com ou sem fonte luminosa. A retratada rotunda situa-se à saída de Pêra para Albufeira (caminho dos Salgados e da Galé) no Algarve. Nesta obra de arte e engenharia rodoviária faz-se sentir a profundidade da alma portuguesa, a água (dentro do tanque) como elemento de intersecção entre o passado das descobertas e o presente do labor diário dos portugueses; quer nas tarefas diárias como o fazer a barba (desfazer para a bimbalhada), no ligar da máquina de lavar roupa ou mesmo o descarregar do autoclismo. Esta tríade tanque/áqua/pedra de esfregar, remete para a espuma das ondas batendo nos rochedos e dificultando a missão dos navegadores. Aqui é o veraneante que virando para a Praia Grande se expõe aos mosquitos que saem em raides da ETAR ou na própria praia, o assédio de dezenas de indivíduos suspeitos que tal como os índios do Brasil caminham “pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas”. É de facto uma das maiores obras contemporâneas no século XXI português. Quer pela essência dos elementos históricos para que remete, quer pela qualidade e riqueza dos materiais utilizados. Nunca é demais relevar que o autor quis indicar o caminho que levará Portugal para além desta recessão. O mar é o nosso passado, em cada Verão o nosso presente e será sem dúvida o nosso futuro quando subirem os níveis da água do mar. É de facto uma obra marcante de um artista de voltaremos a ouvir falar nos próximos tempos.