

Nestas férias de Verão encontrei a mais bem concebida das rotundas. Nunca em Portugal e no Mundo alguma vez alguém esteve tão perto de alcançar o sublime no design destes círculos que nos obrigam em cada viagem a contornar um sem número de artistas, temas, relvados e semi-piscinas com ou sem fonte luminosa. A retratada rotunda situa-se à saída de Pêra para Albufeira (caminho dos Salgados e da Galé) no Algarve. Nesta obra de arte e engenharia rodoviária faz-se sentir a profundidade da alma portuguesa, a água (dentro do tanque) como elemento de intersecção entre o passado das descobertas e o presente do labor diário dos portugueses; quer nas tarefas diárias como o fazer a barba (desfazer para a bimbalhada), no ligar da máquina de lavar roupa ou mesmo o descarregar do autoclismo. Esta tríade tanque/áqua/pedra de esfregar, remete para a espuma das ondas batendo nos rochedos e dificultando a missão dos navegadores. Aqui é o veraneante que virando para a Praia Grande se expõe aos mosquitos que saem em raides da ETAR ou na própria praia, o assédio de dezenas de indivíduos suspeitos que tal como os índios do Brasil caminham “pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas”. É de facto uma das maiores obras contemporâneas no século XXI português. Quer pela essência dos elementos históricos para que remete, quer pela qualidade e riqueza dos materiais utilizados. Nunca é demais relevar que o autor quis indicar o caminho que levará Portugal para além desta recessão. O mar é o nosso passado, em cada Verão o nosso presente e será sem dúvida o nosso futuro quando subirem os níveis da água do mar. É de facto uma obra marcante de um artista de voltaremos a ouvir falar nos próximos tempos.
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