
Depois de quase quatro anos a apoiar a maioria das medidas do governo, mesmo quando se tratou de estrangular carreiras da função pública ou outras medidas económicas impopulares, o jornalista Nicolau Santos sente agora chegada a hora de ver apalpada a sua carteira. No jornal Expresso de sábado revela a sua indignação pelo facto de o partido socialista pretender “matar os ricos para sermos a Albânia da UE”. Nicolau considera-se da classe média que ganha mais de 5 mil euros (não refere é quanto mais) e que tem casa para pagar como a maior parte dos portugueses. Esquece-se é que a maior parte dos portugueses de classe média não ganha nem metade do seu vencimento e que tem no dia a dia, que labutar para no final de cada mês entregar ao estado os impostos que possibilitam o estado social. Defender durante anos a necessidade de reformas e cortes para manter o estado sustentável, defender que se pode cortar em quase tudo para que o essencial prevaleça, é muito sensato, é preciso é ser coerente. Ainda que esta medida seja pouco sensata ou populista, fica mal a Nicolau não aceitar contribuir para que a manta que cobre o miserável orçamento português não destape os pés de quem tem frio. Quem muitas estacas estancha, alguma lhe há-de pegar.
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