

Depois de anos a braços com a justiça, Isaltino Morais, um presidente de câmara que explica de forma esfarrapada a origem de uma fortuna escondida em bancos suíços acaba condenado a sete anos de prisão efectiva. O cidadão comum, após anos de absolvições sucessivas de políticos, pensa por breves momentos que a justiça começa a funcionar para o peixe graúdo. É no entanto fantástica a teia urdida pelos políticos para que apesar de arguidos ou condenados, possam todos sem pudor continuar a meter a mão na coisa pública. Um autentico regabofe. Deste modo vamos ser sujeitos ao nojo de ver na campanha eleitoral para as autarquias sujeitinhos como os autarcas de Oeiras ou de Felgueiras. Grave também é o número de votos que estes candidatos obscuros conseguem obter. Também é fabuloso o acesso à imprensa que estes marmelos têm. No dia em que são condenados ocupam tempos de antena em horário nobre para dizerem as maiores barbaridades, enquanto no mesmo dia centenas de outros portugueses são condenados sem apelo nem agravo. Se não fosse ser considerado muito maldizente afirmaria que a explicação para o seu sucesso está na projecção de si que os portugueses fazem nestes autarcas. Para além de os compreenderem identificam-se com eles. No fundo o que importa é a malta amanhar-se.
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